home

search

12 |💫| A Cidade Esquecida

  ?──────??──────?

  Samuel desceu pela passagem estreita, seus passos firmes ecoando contra as paredes úmidas de pedra e metal. A escurid?o era quase total, engolindo qualquer vestígio de luz que pudesse escapar da superfície. O ar era denso, carregado de umidade e um leve cheiro de ferrugem, como se aquele túnel n?o tivesse sido pisado por muito tempo.

  A cada metro percorrido, a sensa??o de confinamento se intensificava. As paredes pareciam se fechar ao seu redor, e o silêncio absoluto criava a ilus?o de que aquele túnel n?o tinha fim. Mas ent?o, conforme avan?ava, pequenas luzes come?aram a surgir. No início, eram apenas pontos fracos, tremeluzindo como vaga-lumes distantes. Depois, tornaram-se faixas brilhantes embutidas nas paredes, revelando o caminho sinuoso à sua frente.

  O túnel se alargou, e a penumbra cedeu espa?o para uma claridade artificial. à medida que a descida chegava ao fim, o ambiente se transformava. O ch?o áspero de pedra deu lugar a um material metálico bem trabalhado, e a umidade foi substituída por um ar mais seco e carregado de eletricidade estática. Ent?o, a passagem se abriu para uma vis?o monumental.

  Diante de Samuel, uma vasta cidade subterranea se revelava. Constru??es de metal e concreto se erguiam em diferentes níveis, conectadas por pontes suspensas e passarelas improvisadas ligando os diferentes andares. Luzes artificiais pendiam das estruturas, iluminando as ruas estreitas abaixo.

  Logo à frente, uma grande estrutura metálica sustentava um letreiro envelhecido, iluminado por luzes fracas piscando de tempos em tempos. Nele, uma única palavra estava gravada em letras firmes e gastas pelo tempo:

  UNDERGROUND

  Samuel permaneceu imóvel por um instante, sentindo o peso daquele mundo escondido sob a terra. N?o era apenas um refúgio. Era um mundo esquecido, pulsando em meio às sombras.

  — Impressionante. Parece que você sabe se virar bem, Samuel.

  A voz de P.A. ecoou em seu ouvido com uma mistura de curiosidade e reconhecimento.

  — Aquele gesto foi bem interessante... Como soube que ele iria entender o que estava dizendo?

  Samuel manteve os olhos fixos na cidade à sua frente antes de responder, sua voz calma, mas carregada de certeza.

  — As pessoas falam mais do que imaginam, mesmo sem abrir a boca. Respeito n?o se exige com palavras, mas com postura. Os olhos hesitam, os músculos enrijecem, a respira??o muda... Quem conhece o suficiente sabe quando há espa?o para um gesto e quando há para um golpe.

  Ele ent?o desceu os primeiros degraus da entrada da cidade subterranea, sentindo os olhares atentos sobre si.

  — E aquele homem soube ler a mesma coisa em mim.

  P.A. permaneceu em silêncio por um instante, como se processasse a resposta. Afinal, ela percebeu — Samuel n?o apenas observava as pessoas, ele as entendia. Ele as reconhecia.

  Enjoying this book? Seek out the original to ensure the author gets credit.

  Quando Samuel finalmente chegou ao final da escadaria, seus olhos percorreram a grandiosidade oculta sob a terra. A cidade subterranea se estendia diante dele como um organismo vivo, com constru??es erguendo-se de forma precária entre os túneis rochosos e passarelas improvisadas conectando os diferentes níveis. As luzes fracas tremeluziam nos postes remendados, lan?ando sombras nas vielas estreitas e revelando o movimento constante dos habitantes.

  Havia pessoas ali. Rostos ocultos sob mantos sujos, figuras silenciosas que se moviam apressadas, algumas carregando sacolas de suprimentos, outras empurrando pequenos carrinhos improvisados. Crian?as observavam das sacadas de metal, seus olhos curiosos brilhando na penumbra. Mercadores montavam bancas em esquinas escuras, oferecendo pe?as de tecnologia desgastadas, alimentos enlatados e ferramentas rudimentares. O ar carregava um cheiro denso de óleo, poeira e eletricidade, misturado ao murmúrio constante das conversas abafadas.

  Samuel observou tudo com aten??o, cada movimento, cada gesto. A cidade pulsava com uma tens?o latente, como se todos ali estivessem em um estado permanente de alerta. Os olhares que cruzavam seu caminho n?o eram acolhedores; eram desconfiados, rápidos, quase como se cada um estivesse esperando uma raz?o para agir. N?o havia amizade nos rostos — apenas vigilancia, pronta para reagir. As express?es eram fechadas, os corpos rígidos, prontos para reagir a qualquer sinal de amea?a.

  — Para onde eu devo ir agora? Esse lugar é bem diferente da Cidadela. — Ele murmurou, os olhos ainda analisando cada detalhe ao redor.

  P.A. levou um segundo para processar a pergunta de Samuel, e uma leve pausa no áudio indicou que ela estava acessando seus bancos de dados internos. Ele podia imaginar os algoritmos e informa??es sendo analisados, vasculhando os registros, buscando a resposta.

  — O difícil era chegar até aqui... A cidade mudou muito desde a última vez que eu a registrei. O caminho era claro, mas o tempo e os eventos alteraram a estrutura. Agora, é um labirinto de concreto e metal, sem uma ordem definida. — Ela fez uma pausa curta, como se estivesse consultando arquivos antigos. — A Camara do Eclipse... N?o é mais o que era, mas o símbolo... aquele símbolo... ainda está lá. Eu posso ver isso nos dados.

  Houve um pequeno ruído eletr?nico, uma falha imperceptível, mas que fez Samuel perceber que P.A. estava, de fato, "lembrando" de algo. Quando ela continuou, sua voz parecia um pouco mais distante, como se estivesse processando mais informa??es em segundo plano.

  — Um emblema de metal antigo, um entrela?ado de três arcos. Ele ainda está lá, marcado pela ferrugem, mas sua forma permanece intacta. Você o encontrará nos níveis mais baixos, gravado em uma superfície corroída pelo tempo, atrás de um port?o enferrujado. Esse caminho ainda é seguro. Siga-o.

  Samuel franziu levemente o cenho, curioso sobre a maneira como P.A. parecia ter acessado suas memórias de forma quase instantanea, como se estivesse revendo dados arquivados.

  — Camara do Eclipse? — perguntou ele, tentando entender o tom da resposta.

  — Sim. é um laboratório ou, no caso, era... foi onde eu pude desenvolver a Cidadela e o núcleo. N?o estamos indo até lá somente por isso e sim por quem está lá. Há um cientista, o Professor Lucius Arkwright. Ele quem me ajudou com tudo.

  — E por que ele está vivendo aqui e n?o na Cidadela?

  — Houve eventos no passado. Informa??o classificada como irrelevante no momento. Siga os símbolos.

  A hesita??o na voz de P.A. n?o passou despercebida por Samuel. Ele sentiu que havia algo mais, algo que ela n?o estava dizendo, algo importante. Mas ele sabia que ela n?o falaria mais sobre isso por enquanto.

  Samuel desviou de uma crian?a que corria entre as pernas dos adultos, rindo antes de desaparecer em um beco estreito.

  A cidade respirava. E ele precisava encontrar seu caminho dentro dela.

  — Ok.

  Ele ent?o se moveu, atento, misturando-se à multid?o enquanto iniciava seu caminho até tal laboratório.

  ?──────??──────?

Recommended Popular Novels