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O núcleo se acendeu novamente. Ainda estava vivo... mas irregular. A luz verde pulsante que antes iluminava a sala com imponência agora tremeluzia, fraca, oscilante, como uma chama prestes a se apagar. O ar estava carregado de eletricidade estática, e o silêncio que dominava o ambiente carregava um peso quase sufocante.
Samuel permaneceu parado, observando a estrutura metálica diante de si. O núcleo estava morrendo, e ele podia sentir isso no leve zunido do ambiente, que diminuía a cada segundo.
P.A. observava Samuel, sua presen?a refletida nas sombras intermitentes que dan?avam sobre as paredes metálicas. Embora até ent?o o enxergasse apenas como uma anomalia, um enigma a ser estudado, agora percebia que ele poderia ser sua única alternativa. N?o tinha mais escolha.
Ent?o, a voz voltou.
— D-Desculpe por isso... — P.A. falou, sua voz falhando, fragmentada, como se estivesse lutando para permanecer ativa. — Minha energia está instável... se eu continuar assim, o núcleo pode colapsar...
Samuel franziu o cenho.
— Você n?o é o núcleo?
— Eu sou... mas este n?o é o meu corpo principal.
Ele estreitou os olhos. Aquilo tornava tudo ainda mais estranho.
— Se esse n?o é o seu corpo principal, onde ele está?
P.A. hesitou por um breve instante antes de responder, sua voz carregada de uma frieza que escondia um tra?o quase imperceptível de frustra??o.
— Foi roubado pelos humanos...
Samuel cruzou os bra?os, analisando a informa??o.
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— Por quê? Você n?o os ajudava?
Um silêncio se prolongou antes que P.A. finalmente respondesse.
— Nossa rela??o é... complicada. Mas... n?o tenho muitas op??es. Meus sentinelas e rob?s n?o s?o bem recebidos na Cidadela.
Samuel entendeu o que ela queria. O pedido n?o foi feito diretamente, mas estava ali, nas entrelinhas.
— Você quer que eu te ajude, n?o é?
— Os humanos têm medo de que eu me torne o que eles criaram para combater...
— Eu tenho medo de ser encerrada antes disso.
A hesita??o de P.A. durou menos de um segundo.
— Eu n?o tenho outra escolha...
Samuel soltou um suspiro, ponderando suas op??es. A inteligência artificial diante dele era uma incógnita, mas havia algo na forma como sua voz oscilava, como se, apesar de toda sua frieza, existisse um tra?o de desespero ali.
Ele ajeitou a postura e respondeu com firmeza:
— Eu vou recuperar o seu corpo. Mas você vai me explicar tudo. Entendeu?
— Sim.
— ótimo. Tem alguma ideia onde seu corpo pode estar?
Houve uma breve pausa antes da resposta vir, mais ponderada dessa vez.
— Eu tenho uma hipótese... Existe uma gangue aqui em Valtrex chamada Skull, meu último sinal veio de lá. Se alguém souber algo, s?o eles. Ou talvez até estejam diretamente envolvidos.
Samuel fechou os olhos por um instante e inspirou profundamente. Ele sabia que aquilo o colocaria em uma rota perigosa. Mas o perigo nunca o impediu antes.
Sem dizer mais nada, ele abriu os olhos novamente, sua express?o voltando à seriedade inabalável de sempre.
— Ent?o, vamos descobrir.
Samuel se virou para sair, seus passos ecoando contra o metal frio do ch?o. Mas antes que alcan?asse a saída, a voz de P.A. soou novamente, um pouco mais estável, mas ainda carregada pelo cansa?o da energia esgotando-se.
— Eu vou me comunicar com você pelo dispositivo em seu ouvido. N?o se preocupe... eu irei contar tudo no caminho.
Ele parou por um instante, sem se virar, apenas assentindo com um movimento sutil da cabe?a.
Ent?o, sem mais hesita??o, caminhou para fora dali, desaparecendo na penumbra do corredor.
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